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  Variedades  
     
  5/9/2009  
  A culinária e a adjetivação em pratos limpos  
     
  da Folha de Rancho Queimado  
     
  A arte de preparar pratos, juntar ingredientes e guardar os segredos de família cresce cada acender do fogão, seja a gás ou a lenha. A culinária varia de região para região, de vizinho para vizinho, e cada preparo tem um sabor especial. A sua pitada de sal não tem a mesma proporção que a minha, e o resultado final está modificado com um pequeno vocábulo – pitada. Imagina ao passar dos anos, com o saber popular e a regionalização palpitando a cada preparo.
No início, quando provavelmente alguém esqueceu um pedaço de carne (sim, sou um carnívoro, como a maioria dos mamíferos), e este adquiriu uma nova cor, aroma e sabor, nosso atrapalhado ancestral instaurou a culinária. Que vem mudando no decorrer dos tempos com novos conhecimentos, com a domesticação de animais, a religião e a necessidade. Esta, a mãe dos novos sabores.
Afirmar que se tem uma culinária alemã, tropeira, serrana ou com outro qualquer adjetivo, podemos incorrer em erro de julgamento e criar um falso saber. A culinária catarinense com sua diversidade cultural tem uma mescla de competências. Não seria melhor afirmar que temos uma culinária com base alemã, tropeira, portuguesa ou indígena? Sim, o índio catarinense que plantava a mandioca e o milho, também era caçador e coletor que nos legou a farinha de mandioca, o polvilho, o fubá e outros ingredientes. Então a rosca de polvilho tem base indígena e alemã, quem sabe? E o entreveiro que tem em sua base o pinhão? Petisco predileto dos xokleng que habitavam a meia encosta da Serra Geral. Não será o prato uma evolução de pedaços de caça com pinhão e mais algumas raízes?
Se olharmos no fundo de cada panela poderemos facilmente encontrar o ingrediente que muitas das vezes nos recusamos a reconhecer: o saber de nossos antepassados. O inquestionável bom sabor da culinária catarinense com sua diversidade cultural é único. Mas tem uma base indígena, açoriana, alemã, italiana, enfim, uma pitada de cada gente que constroi este Estado.
 
     
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