Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte. Assim se expressava Pablo Picasso a respeito de seu trabalho, sempre atual. Assim se expressa um artista cujas mãos fabricam peças sempre atuais e que mantém vivas a história e a tradição de uma família e de uma localidade: Valdevino Weis, ou simplesmente Vino, o artista da cutelaria, de Taquaras.
Muitas pessoas viajam de longe para conhecer a oficina e o produto de seu trabalho. Há pelo menos 40 anos, ele aprendeu o ofício com o pai, que por sua vez tinha aprendido com o seu avô. E assim foi por quatro gerações seguidas. Hoje a história mudou. Os filhos de Vino preferiram fazer uma faculdade e os segredos da elaboração de uma lâmina perfeita vão se perder para sempre.
Reconhecimento
Indagado sobre se gostaria de ensinar o ofício, de ter alunos, Vino acredita que é difícil encontrar alguém que queira aprender. “Hoje só querem saber de internet e para tudo exigem diploma”, garante.
As facas fabricadas pela família estão espalhadas pelo mundo, em Portugal e na Espanha. A maior clientela está no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A oficina é ponto turístico e o trabalho reconhecido oficialmente pelo Estado.
Nascida em Barra Negra, município de Major Gercino, dona Érica Goedert, 77 anos, mãe do prefeito Mério, chegou recém-casada a Rancho Queimado. Adotou a cidade para sempre. Segunda filha de uma turma de 12, conta que teve dificuldade de ir à escola. “Tudo era muito longe e ainda tinha que ajudar a cuidar dos irmãos mais novos.”
Ela e o marido instalaram-se no distrito de Taquaras, onde já morava um parente. Os filhos foram seis. O mais velho, Moacir, é falecido. Os outros são, por ordem de nascimento: Marlene, Mário, Marcelise, Mério e Marciléia.
Mério costumava ajudar na cozinha e nas lides campeiras. “Foi o único que puxou a mim, gosta de cozinhar, de flores e dos animais. Adora plantar e por isso foi estudar na escola agrícola. Na época, a gente não tinha muito dinheiro. Eu costurava para poder mandar um dinheiro para ele”, lembra.
Quando Mério anunciou que ia concorrer à Prefeitura de Rancho Queimado, na primeira vez, a mãe tentou dissuadi-lo do contrário. “Mas não teve jeito. Ele disse que ia se candidatar porque sabia que ia ganhar. O mesmo fez no ano passado. E venceu. Ele é um vencedor”, garante dona Érica. |