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Santa Claus, o bom velhinho do Hemisfério Norte, viaja com seu ecológico trenó e o politicamente correto time de renas – ao que parece, todas são livres de maus-tratos e realizam seu trabalho com satisfação. Às vezes me pego perguntando por que Santa Claus faz suas entregas em um veículo aberto, com os presentes à mostra, com dedicação e sem revanchismo social?
No Hemisfério Sul, nosso bom velhinho, sempre alquebrado, obeso e sem seus ajudantes, caminha por entre vielas a entregar presentes aos carentes. Fascista!
E quem construiu seu próprio “hoje” com suor e trabalho, não merece presentes? A igualdade social parte da premissa da distribuição de riquezas; o contrário é Robin Hood.
Continuo a pensar. E se nosso Noel assumisse uma filiação partidária? Uniforme vermelho, um grande saco cheio de benesses, tem estrela branca e só falta uma sigla, fácil, fácil adivinhar.
Curioso, esperei Noel nas quebradas da favela e resolvi dar uma geral naquele saco sempre fechado, de boca pequena, e sabe lá o que tem dentro. Aos poucos fui lembrando que estamos em ano pré-eleitoral e foram desfilando bolsa-família, vale-gás, bolsa-escola, bolsa celular – que parece que ficou sem linha, fora de operação –, e outros regalos eleitoreiros.
Nada contra a distribuição de riquezas, desde que sem grilhões. Dos parachoques de caminhão vem a frase: “Não dê o peixe; ensine a pescar”, velha e atual para todas as esferas de governo. Por que não temos um bolsa-profissionalização? Por que o Sistema S precisa cobrar tão caro a educação de parte de seus serviços se são financiados pelo governo (impostos pagos pelo cidadão)? Senai, Senac, Sebrae poderiam formar mais técnicos, o que implica em melhores meios de produção, menores custos de produção e mais acesso a produtos manufaturados. Não vi no saco de Papais Noeis bolsas de pesquisa distribuídas com parcimônia, e muito menos oportunidades de escolarização de qualidade.
Por que tem o governo – com dinheiro público – que ajudar a Associação dos Precisados, o Grupo dos Sem Ajuda, a Banda dos Sem Instrumentos? Com meu dinheiro, com seu dinheiro? Nossos impostos.
O estado providencial continua a engordar. E com ele os amigos do rei. Certo estava Manoel Bandeira, que foi embora para Pasárgada. E fico a perguntar: o Papai Noel de lá distribui presentes em bolsa ou saco? Sim, temos ainda em liquidação, para o Natal, meias, cuecas, sapatos e vale-conta em paraíso fiscal.
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