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  Opinião  
     
  5/9/2009  
  A força dos pequenos  
 

Ricardo Moreira de Mesquita
Editor-executivo da Folha de Rancho Queimado

 
  Não bastava o macro e o micro, agora vem na mídia a moda do nano – o milésimo do milionésimo. Onde ficará na economia o tão falado pequeno? O governo se preocupa e em Santa Catarina parece que tem lugar especial nos planos da administração. Mas a quem interessa o pequeno? À sociedade civil, ao capitalismo ou ao empresariado. Investe-se no pequeno produtor rural, mas ele continua a andar de microtrator (depois que conseguiu pagar a dívida no banco), de pés descalços e a viver um dia após o outro.
Parece que a cadeia produtiva carece de incentivos na base, para aquele que reza para chover no plantio e fazer sol na colheita. Outro dia, descia a Serra Geral atrás de um caminhão com repolhos, às 22h de sábado, e questionava: estará indo à Ceasa para aguardar na fila uma venda negociada com atravessador na madrugada de segunda-feira? O plantio de repolho, por exemplo, ocupa o solo por 90 dias. Mão-de-obra, regas, controle de pragas, tempo, espaço e sacrifício imobilizado para vender cada cabeça a R$ 0,30. Pagamos no sacolão algo em torno de R$ 1,20.
Como um filme, vi passar na mente os tempos da ditadura, quando criaram a Cibrazem, a Ceasa e outros benefícios que morreram com o próprio governo militar; alguns sobrevivem com novos focos. A Cibrazem não era para formar estoque regulador? E a Ceasa, não era para oportunizar a venda direta pelo agricultor, bem como os sacolões.
Como pequeno consumidor, em tempos de crise o dinheiro desaparece. Queremos saber onde foi parar o pequeno do outro lado. Aquele que trabalha para nos alimentar, para que possamos trabalhar e pagar os impostos cobrados por este país preocupado com os pequenos. Ou vamos esperar para sermos classificados como nano-produtores e nano-consumidores?
 
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