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  Gastronomia  
     
  9/10/2009  
  A gastronomia abraça a culinária e
agrega o prazer
 
     
  da Folha de Rancho Queimado  
     
  Você aprecia a boa mesa? Saboreia com prazer um prato típico regional acompanhado da apresentação de um grupo folclórico?
Você acaba de entrar para o grupo dos gastrônomos.
 
     
 

Além da culinária, da viticultura e seu principal produto, mais que fumar um não politicamente correto charuto, a gastronomia abrange os ingredientes, seu preparo e os aspectos culturais relacionados ao prazer do consumo.
Primeiro o homem aprendeu a caçar e coletar para sua sobrevivência, surgiu o fogo e algum pedaço de alimento junto à chama ou mesmo uma pedra quente despertou o interesse pelo aperfeiçoamento do ato de comer.
Do simples ato de comer na caminhada do prazer foram milhares de anos de experimentação, prazer e morte, por ingestão de alimentos venenosos, experiências mal-sucedidas ou por disputa pelos melhores rebanhos, campos ou pesqueiros. Nossos antepassados que sobreviveram foram aprimorando e refinando a alimentação. O foro da culinária foi ampliado. A troca, as viagens e os homens e mulheres foram sofisticando suas papilas gustativas e agregando outros deleites ao ato de comer.
O vinho, a sobremesa, a própria mesa com sua cadeiras, talheres e serviçais. A gastronomia é o banquete completo da casa real com todos seus prazeres, da recepção à sesta.

Alquimia
A arte de cozinhar, a feitiçaria da mistura, quase uma alquimia, são os domínios da culinária. Alheio aos tempos, o microondas não apagou o fogo do fogão ou da lenha, parceira das tradições.
Ingredientes, fogo, um pouco de talento e uma receita, muitas vezes não passam apenas de um experimento. Os aspectos da cultura de cada povo são fundamentais para a preservação do modo de preparo, do sabor peculiar e gosto, este uma questão cultural.
Com a Revolução Industrial vieram o crescimento da população, novos conceitos de higiene, saneamento e remédios que aumentaram a expectativa de vida. Mais gente para alimentar e as cidades precisaram criar opções de alimentação. Chega a indústria alimentar. Químicas para a conservação, novos produtos para o aproveitamento das sobras e a facilidade da culinária de minuto.
Contra ou favor? Em cima da mesa, de segunda a sexta-feira, a “culinária de supermercado”, fim de semana, o velho e surrado livro de receitas da vovó.

 
     
  Ricardo Moreira de Mesquita é jornalista, escritor e historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e da Academia Desterrense de Letras.  
     
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